Holocracia: entenda o que é e como implementar esse modelo de gestão

2020-05-27T11:35:17-03:006 dezembro, 2018|Gestão de Pessoas|

O modelo consagrado pela loja Zappos é, hoje, uma das formas mais inovadoras de gerenciar com pessoas. A holocracia é atraente, flexível e acertada. Mas como usar?

A maneira de liderar pessoas mudou muito nos últimos anos. Aliás, “gerenciar pessoas” é uma expressão defasada, pois se gerencia com pessoas — acredite, a diferença é enorme! Nesse contexto, a holocracia emergiu como um modelo atraente, flexível e acertado.

O antigo ditado “manda quem pode, obedece quem tem juízo” faz menos sentido. A relação líder-liderado baseada na autoridade, hierarquia e comando-controle torna o trabalho menos inovador (um problema às firmas que precisam estar na vanguarda).

No artigo de hoje, vamos entender mais do tema, descobrir o que é holocracia, como aplicar esse modelo de gestão e suas principais vantagens. Continue a leitura!

Afinal, o que é holocracia?

A Zappos é uma empresa disruptiva e em franco crescimento. Em grande parte, graças a uma ideia inovadora: dar adeus aos chefes! O e-commerce norte-americano acabou com a estrutura hierárquica e abriu mão dos cargos de chefia e supervisão do trabalho.

Sim, esse é o modelo de gestão chamado de holocracia. Do inglês holacracy, a holocracia representa uma nova forma de estruturar a empresa e pôr fim à hierarquia (no formato de pirâmide, de cima para baixo). A ideia é dar aos indivíduos mais liberdade e autonomia, distribuindo a autoridade por todo o empreendimento.

Por qual razão a Zappos fez isso? Em primeiro lugar, porque a empresa queria oferecer um atendimento fora do lugar-comum aos clientes, promovendo o famoso fator “UAU”. Assim, precisava de talentos mais livres, que não seguissem scripts ou manuais, mas que fossem realmente apaixonados pelo negócio. E mais, queria inovar na gestão de recursos humanos.

Apesar de parecer algo realmente novo, há algum tempo se discute sobre holocracia. Ela tem origem com um outro termo complexo, a adhocracia. Cunhado em 1970, adhocracia faz referência a uma estrutura organizacional flexível e que trabalha por meio de processos, sendo altamente recomendada para empresas de tecnologia.

Hoje, ainda não existem tantas empresas que usam a holocracia na usa forma mais pura, sobretudo no Brasil. De todo modo, é cada vez mais natural ver a velha estrutura “comando e controle” sendo enfraquecida e dando lugar a um ambiente de trabalho mais flexível.

Para quais empresas a holocracia é recomendada?

Essa é uma pergunta complexa. Algumas pessoas acreditam que a holocracia é importante para empresas de tecnologia, que precisam ser disruptivas, mas não tão importante para empresas tradicionais — uma distribuidora de bebidas, por exemplo. Adiante, destacamos 3 itens para explicar se a holocracia é (ou não) recomendada para sua empresa.

A prioridade da inovação

Em primeiro lugar, para sua empresa, o quanto a inovação é algo prioritário? Veja que a pergunta não é se a inovação é importante ou não (afinal, é algo importante para todos), mas se é algo que está no topo das suas prioridades.

Geralmente, a resposta é negativa. Os clientes estão no topo, as vendas e os funcionários também, mas a inovação não. Se a resposta é afirmativa e a inovação é essencial para sua empresa, é sinal de que a holocracia pode ser bastante útil.

O fator “UAU” no atendimento

O fator “UAU” diz respeito ao encanto no atendimento aos clientes. É o mesmo que dizer que seu atendimento é tão bom, mas tão bom que o cliente só tem uma reação: “UAU”.

Em geral, as empresas dizem que o fator “UAU” é essencial. Algo prioritário, sem dúvidas. Na prática, todavia, agem de maneira contrária e satisfazem-se com um bom atendimento — e, veja, não há absolutamente nada de errado com isso.

Portanto, pergunte a si mesmo: o quanto estaria disposto a gastar por um “UAU”? A Zappos gastou 10 horas em uma única ligação do SAC, entre outras coisas fora do lugar-comum. Se você acha o “UAU” tão importante assim, significa que a holocracia pode ser bastante útil.

A atração de talentos

Por fim, questione-se sobre a importância de talentos. Muitos profissionais talentosos, sobretudo das gerações Millennials e Z, desejam atuar em um ambiente flexível, sem a presença de um chefe. Sendo assim, a holocracia é um “prato apetitoso”.

Se você considera a atração de talentos (profissionais acima da média) algo muito importante, é sinal de que pode arriscar um pouco mais na construção de uma estrutura flexível. Se não considera algo tão importante assim, esse risco é desnecessário.

Note, então, que a holocracia não é recomendada para essa ou aquela empresa, mas sim para os negócios que consideram a inovação algo prioritário, assim como o atendimento fora do lugar-comum aos clientes e a atração de profissionais jovens e brilhantes.

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Como implementar o modelo de holocracia?

Não é uma tarefa fácil, pois envolve mudanças na cultura e na estrutura do negócio, além da eliminação de cargos tradicionais. Mas separamos algumas dicas relevantes e que podem ajudá-lo a dar os primeiros passos. Confira!

Tenha propósito em todos os níveis

É necessário que toda a empresa seja orientada por um propósito grande, massivo e transformador, bem como existente em todos os níveis: propósito organizacional, propósito por equipe e propósito individual. O intuito é fazer com que cada indivíduo conheça profundamente sua missão e empregue toda sua energia nesse sentido.

Crie um maior senso de responsabilidade

Cada indivíduo deverá ter um maior senso de responsabilidade, isto é, o compromisso de realizar as tarefas diárias e alcançar resultados-chave. Para tanto, o recomendado é fragmentar grandes objetivos em metas menores e de curto prazo, atribuídas a um grupo ou indivíduo em específico.

Estabeleça as regras do “jogo”

Holocracia não é o mesmo que desorganização. Por isso, é crucial ter regras claras e que orientem a autogestão. Crie as regras do “jogo”, determine o que pode ser feito e compartilhe isso com todo o time. Assim, os talentos poderão liderar a si próprios e agir segundo o que a organização acredita ser correto.

Quais cuidados devem ser tomados ao implementar a holocracia?

Agora que já sabe o que é e como adotar a holocracia na empresa, também é preciso entender quais cuidados devem ser tomados. Primeiramente, deixe bem claro: holocracia não é desordem, muito menos falta de limites. É trabalho com propósito, seriedade e autogerenciamento. Nos tópicos seguintes, explicamos mais sobre os cuidados adicionais.

Cuidado com a falta de comunicação

Em estruturas hierárquicas tradicionais, o líder atua como um comunicador. Ele explica exatamente o que deve ser feito, como, quando e por quem. Na ausência do líder, tal diálogo pode ser perdido, deixando os talentos “à deriva”. Portanto, concentre-se em fazer com que sua mensagem chegue até os receptores por meio de bons canais de comunicação interna.

Não deixe que a desordem seja rotina

Conforme enfatizado, o modelo de holocracia não é desordem. Os trabalhos são estruturados em torno de pequenos projetos e todos os profissionais são bem direcionados, ou seja, entendem os resultados que precisam ser entregues. Portanto, se sua estrutura está desorganizada, é sinal de que algo está errado e a holocracia não foi bem implementada (logo, precisa de ajustes).

Ausência de tecnologia é algo perigoso

Nesse modelo de gestão, os profissionais precisam se sentir bem orientados. Como não há um chefe formal, os profissionais podem se sentir desnorteados. A tecnologia ajuda a evitar esse problema. Boas plataformas gerenciais permitem que os próprios talentos avaliem seus resultados, definam novas metas e desenvolvam competências adicionais ao trabalho.

Como avaliar se a holocracia está surtindo efeito?

Como toda mudança que você implementa na empresa, a holocracia precisa entregar resultados gratificantes. Por exemplo, se isso não melhora o atendimento ao cliente e nem mesmo a satisfação dos funcionários, pode não ter muito sentido adotá-lo.

Portanto, é interessante estabelecer um conjunto de indicadores capazes de apontar as melhorias obtidas após a adoção da holocracia. Alguns dos principais são:

  • nível de satisfação dos funcionários;
  • assiduidade dos profissionais e equipes;
  • redução de erros, conflitos e problemas;
  • satisfação dos clientes finais;
  • nível de lealdade dos seus clientes;
  • taxa de candidatos por vaga (atração de talentos).

Na medida em que esses indicadores melhoram, é sinal de que a holocracia está gerando efeitos e que as partes interessadas na empresa (funcionários e clientes, principalmente) estão sendo beneficiadas. Portanto, seu investimento está sendo recompensado.

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Qual a importância do novo modelo de gestão?

A adoção de um modelo que reduz os níveis hierárquicos e acaba com a velha visão de chefe demanda muito tempo e energia de todos. É algo lindo em teoria, mas, na prática, pode dar muito trabalho. Entretanto, seus benefícios também são diversos. Veja alguns deles:

  • construção de um ambiente inovador;
  • estruturação organizacional mais ágil;
  • maior autonomia das equipes e profissionais;
  • redução da burocracia tradicional;
  • maior valorização dos talentos;
  • melhor atendimento aos clientes;
  • aumento do número de clientes promotores da marca;
  • maior facilidade na criação de estratégias emergentes.

Ao pensar conjuntamente nesses benefícios, você pode chegar à seguinte conclusão: com a holocracia, sua empresa se torna mais competitiva e apta para superar outras empresas no mercado. Assim, sua empresa também ganha longevidade, rentabilidade e perenidade.

O movimento começou na Zappos, porém, outras empresas já apostam na holocracia ou em uma estrutura hierárquica mais flexível. Nessas empresas, o trabalho comumente é orientado por projetos e há tecnologias para análise do desempenho individual e recompensas que incentivam a alta performance. Com isso, todos são beneficiados.

Veja, agora você está por dentro do assunto, entende o que é holocracia, como adotá-la e quais seus principais benefícios. Aproveite para multiplicar esse conhecimento, deixe seus amigos por dentro do tema. Compartilhe nosso post em suas redes sociais. Vamos lá!

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