Motivação profissional: como a falta de realização pessoal pode afetá-la?

2020-04-02T16:55:40-03:0026 abril, 2018|Talent Management|

A motivação é um elemento crucial aos talentos, pois garante que entregarão resultados superiores e que se dedicarão mais ao longo do expediente. Essa motivação está diretamente ligada à realização no trabalho. Logo, se não há realização, a motivação é afetada.

A realização e a motivação profissional estão conectadas a diversos fatores, como ao bom líder que consegue motivar e engajar o colaborador, ao amor pela profissão, ao bem-estar de construir uma carreira a ou mesmo a fatores externos, como a realização pessoal.

O mais importante é que a empresa deve prezar pela motivação dos seus colaboradores. Assim, eles podem trabalhar com maior desempenho, atingir os objetivos definidos e agir como verdadeiros embaixadores da marca.

Mesmo que diversas empresas não deem a atenção devida ao assunto, a realização pessoal influencia a motivação. Então, é indispensável que os líderes entendam do tema, bem como apoiem e incentivem os seus subordinados.

No estudo feito pela Gallup, “State of the Global Workplace”, 62% dos entrevistados brasileiros se disseram não engajados. O estudo também oferece um panorama sobre como a satisfação com a vida pessoal influencia a vida profissional. Cerca de 77% daqueles que estão engajados no trabalho estão prosperando em suas vidas.

Sabemos da importância do assunto, então, elaboramos um artigo para você. Hoje, será possível entender mais sobre a relação entre realização pessoal e motivação profissional, assim como sobre o que deve ser feito. Continue lendo!

Sucesso e realização — é possível ter ambos?

Sucesso não tem o mesmo significado para todos. Alguns acreditam que o sucesso é ganhar R$ 10 milhões por ano, outros acham que o sucesso é ser reconhecido na área na qual atua, ter uma família estruturada e qualidade de vida, conquistar sonhos ou qualquer outra coisa.

O primeiro passo, então, é saber o que é sucesso para você e para o seu colaborador, caso você seja gestor. Alinhar os objetivos das pessoas com os objetivos da empresa é essencial para que o sucesso aconteça de ambos os lados, e dentro e fora da vida profissional. A motivação é algo que deve ir além das paredes da empresa.

A realização é quando se faz algo por prazer a ponto de não ver a hora passar, coisa que nem sempre acontece no sucesso. Você pode ter dias muito sofridos, fazendo algo de que não gosta, mas conquistou um cargo que queria: isso é sucesso.

É perfeitamente possível ter ambos, cabendo especialmente à empresa criar o ambiente adequado para que isso aconteça. Ela deve impulsionar os profissionais na busca por conquistas maiores, seja no ambiente de trabalho, seja fora dele. Assim, terá talentos mais felizes e apaixonados pelo que fazem.

Quais os reflexos da desmotivação no trabalho?

Sem motivação, o desempenho diminui e, consequentemente, as entregas são comprometidas. A qualidade do trabalho pode até não cair, mas, com um profissional motivado e engajado, ela seria otimizada e, com isso, a equipe estaria mais alinhada com os objetivos da empresa e todos seriam mais bem aproveitados.

A desmotivação coloca muitos talentos na escuridão. Colaboradores que poderiam exercer suas habilidades melhor, ou que têm habilidades que ainda não são aproveitadas, ficam sem motivação alguma.

Uma pesquisa de 2007 em seis países europeus mostrou que 31% deles demonstraram insatisfação com o trabalho atual, sendo que um em cinco declarou que nunca trabalhou em uma posição que utilizasse suas qualidades de maneira apropriada.

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Há inúmeros outros prejuízos à empresa por conta da falta de motivação, como o aumento da rotatividade ou o surgimento de conflitos internos. Tudo isso também afeta a lucratividade da empresa, fazendo-a perder dinheiro com rescisões e erros internos. Com a motivação, esses problemas não existiriam.

O que fazer para motivar e contribuir para a realização do colaborador?

Incentive os profissionais em novas descobertas

Ainda que as habilidades não sejam usadas na vida profissional, os gestores têm o papel de incentivar seus colaboradores a usá-las de outras maneiras que contribuam para a satisfação pessoal. Funcionários podem usar a desculpa de que não gostam do que fazem para se tornar pouco produtivos e, por isso, os gestores devem incentivá-los a buscar novos caminhos.

Muitas vezes, um trabalho voluntário, um novo hobby ou um novo hábito diferente trazem satisfação e realização e, tendo essa realização em parte da vida, o trabalho não vira um peso. Engana-se o gestor que pensa que isso não é problema dele — ele deve ser o principal incentivador do colaborador para buscar novos caminhos e, se possível, ajudá-lo a encontrá-los, até mesmo, dentro da empresa.

Adote programas de team building

A motivação e a realização dos profissionais estão diretamente ligadas à forma como eles se relacionam com seus colegas de trabalho. É muito difícil que um talento se sinta animado se não consegue se entrosar com a sua equipe ou se existem conflitos diários.

Nesse caso, adotar um programa de team building é uma ótima iniciativa. O objetivo desse programa é dar asas ao espírito de equipe, fazendo com que os talentos sintam-se cada vez mais unidos. Isso garante processos mais fluidos e melhora o clima de trabalho.

Para promover a construção do seu time, aproveite para realizar mais reuniões com a sua equipe de trabalho, peça ideias para solucionar problemas, estimule programações fora da empresa e marque uma partida de esporte juntos. Assim, você terá grandes chances de êxito.

Melhore a comunicação com os seus subordinados

Muitos líderes não conhecem seus liderados pela simples falta de comunicação. Nas reuniões, apenas metas são discutidas e não sobra nenhum espaço para o lado “humano” da liderança. É preciso mudar isso!

O líder deve saber ouvir seus subordinados, bem como cascatear as informações adequadas e importantes para a equipe. Essa interação gera sinergia, entendimento mútuo e, claro, motivação no expediente de trabalho.

Existem diversas ferramentas que facilitam a motivação; por exemplo, softwares de gestão e murais de recados. Assim, além de entender o colaborador, é possível mantê-lo alinhado quanto ao que deve ser feito.

Ofereça benefícios inovadores e adequados ao profissional

Se as únicas recompensas oferecidas na empresa são bonificações financeiras, você está perdendo um importante espaço para inovar e estimular os profissionais. Na atualidade, existe uma série de novos benefícios que podem ser usados.

Uma ótima oportunidade é oferecer um dia de folga remunerada. Assim, o profissional pode ter mais tempo para si mesmo e para a sua família. Ou, ainda, um curso que não tenha exatamente a ver com o trabalho, incentivando o profissional a encontrar novos hobbies. É preciso ser criativo!

Crie um programa de cargos e salários

Pense no programa de cargos e salários como um jogo de tabuleiro. Os profissionais passam a enxergar várias casas que, com alguma persistência e dedicação, podem ser avançadas até chegar ao prêmio maior. Logo, consiste em um dos principais estímulos.

Existem muitas dicas úteis para criar um bom programa. É preciso torná-lo desafiador, mas não impossível. Também é importante que todos os talentos saibam exatamente o que deve ser feito para crescer e tenham as ferramentas necessárias para esse avanço.

O mais natural é que o programa de cargos e salários gire em torno de dois itens: I) o tempo de “casa”, sendo que profissionais mais experientes costumam ocupar cargos de nível sênior e pleno; e II) metas atingidas, afinal, não adianta apenas estar dentro da empresa.

Promova treinamentos para os talentos

Outro ponto importante é oferecer treinamentos. Quando a empresa se preocupa com o crescimento do talento, passa uma série de mensagens importantes, como: “queremos que você cresça conosco e esteja preparado para alcançar cargos mais elevados”.

No entanto, oferecer bons treinamentos é uma questão de conhecer as atuais competências dos profissionais e das equipes, bem como aquelas que precisam ser desenvolvidas.

Exatamente por isso, o mais recomendado é que se inicie com a avaliação de desempenho. Verifique qual é o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que o profissional tem e o que precisa ser desenvolvido. Então, ao identificar esse gap, você poderá agir.

Felizmente, hoje, existe uma série de meios para oferecer treinamentos. Além das palestras presenciais, que são tradicionais, é possível contar com cursos EAD, pílulas de conhecimento enviadas pelo smartphone (m-learning) e jogos empresariais.

Apoie os profissionais na busca pelo ponto de equilíbrio

Uma vida pessoal equilibrada faz com que as pessoas se desenvolvam melhor no trabalho, ainda que aquele não seja o emprego dos sonhos. A verdade é que muitos não entendem que, mesmo que se faça algo de que se goste muito, ainda existirão dificuldades, obstáculos e dias difíceis.

O papel dos gestores é apoiar seus colaboradores e apostar neles, mesmo quando as esperanças parecem perdidas. É fundamental tentar fazer com que a vida profissional flua bem, pois fazer a gestão de pessoas é cuidar dos colaboradores, afinal, eles são o combustível que move uma empresa. Sem a força de trabalho, dificilmente uma organização se destacará no mercado.

O líder deve sempre apoiar seu colaborador, seja dentro da empresa, seja em diversas situações fora dela. Todos devem realizar seus sonhos de alguma forma. Uma boa empresa é aquela que incentiva que o colaborador faça isso, dentro dela ou não.

Quais são as novas motivações no ambiente de trabalho?

Traçar um novo plano para realizar uma tarefa, uma nova meta ou um novo desafio é uma forma de engajar os colaboradores e alinhar isso com os objetivos pessoais é uma nova visão que muitos líderes estão adotando ao redor do mundo para levar mais motivação para o time.

A Aon, uma consultoria de benefícios e capital humano, realizou um estudo com a participação de mais de quatro milhões de colaboradores, em cerca de 1.000 empresas ao redor do mundo. A pesquisa Tendências Globais de Engajamento dos Funcionários, de 2016, foi realizada por meio de avaliações que permitem, aos colaboradores, a expressão de suas percepções sobre suas organizações. Entenda melhor nos próximos tópicos!

A importância da paixão e da realização

No Brasil, foram pesquisados, aproximadamente, 100 mil funcionários em 31 empresas de diversos setores, como financeiro, saúde, indústrias, Tecnologia da Informação e varejo. O estudo apontou que o país continua com a média de engajamento maior quando comparada com a taxa global. No entanto, é importante atentar ao fato de que o Brasil sofreu uma queda de 1% no engajamento no resultado final, enquanto a média global teve um crescimento de 3%.

Segundo o Business Talent Group, a definição de sucesso num passado não tão distante era obter triunfo profissional por meio de promoções e a motivação abrangia dinheiro, cargo e poder. Hoje, a estrutura é muito mais complexa e envolve, além da compensação, as paixões e o sentimento de realização.

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A necessidade do propósito de atuação

Realizada em 2013, outra pesquisa ouviu cerca de 4,2 mil funcionários brasileiros e concluiu que o que mais motiva os brasileiros no trabalho é ter um propósito. Ou melhor, todos precisam entender por que fazem o que fazem.

Em um levantamento da Harvard Business Review com 335 respondentes, aproximadamente 73% colocou a satisfação diária com o seu trabalho como um dos componentes fundamentais da definição pessoal de sucesso.

O bom retorno financeiro ficou em segundo lugar, seguido do respeito dos colegas. Cerca de 58% das pessoas entrevistadas trabalham na área em que se formaram, e metade delas mantém um projeto paralelo que chamam de hobby.

Voluntariado ou envolvimento com projetos sociais, esportes, atividades artísticas, viagens, manutenção de um blog e, até mesmo, administração de uma microempresa aparecem como exemplos. Por tudo isso, é preciso incentivar os funcionários na descoberta de novos caminhos, paixões e prazeres.

Como a teoria de Maslow explica a motivação?

Para compreender, com mais profundidade, a motivação e a realização no trabalho, é interessante compreender a teoria de Maslow. Psicólogo norte-americano, Alfred Maslow definiu o que foi chamado de pirâmide das necessidades ou pirâmide de Maslow.

À luz dessa teoria, a motivação pode ser vista como a ação em busca da satisfação das necessidades. O ponto, de acordo com Maslow, é que essas necessidades contam com uma hierarquia, sendo preciso suprir, primeiro, as mais básicas e, só depois, as superiores.

Quando o líder de equipe ou diretor conhece essa hierarquia, pode avaliar se seu atual conjunto de estímulos está permitindo que os profissionais alcancem a satisfação das suas necessidades e, portanto, que experimentem um maior grau de satisfação.

Necessidades fisiológicas

Como proposto por Maslow, na base da pirâmide, estão as necessidades fisiológicas. Há muitos exemplos, como a demanda por beber água, dormir, comer ou respirar. Em suma, as pessoas só vão buscar suprir necessidades maiores quando essas primeiras forem supridas.

Isso é muito útil para o ambiente de trabalho. Reflita se os profissionais estão tendo suas necessidades mais básicas — fisiológicas — supridas. Eles conseguem tirar um tempinho para descansar, beber água filtrada e respirar ar puro? Se não, é um péssimo sinal.

Necessidade de segurança

Assim que a primeira classe de necessidades é suprida, tem-se a segunda: segurança. O ser humano não se propõe a fazer muita coisa, somente o essencial, se não se sentir seguro. Ele pode preferir ficar em casa, sem correr riscos adicionais e colocar em xeque a sua vida.

No trabalho, não é muito diferente. Os profissionais precisam se sentir seguros, com algum grau de estabilidade em sua carreira. Se eles imaginam que podem perder o emprego a qualquer momento, podem se sentir desconsertados e, dificilmente, serão motivados.

Necessidade de relacionamento

Seguindo para o terceiro degrau da pirâmide, segundo Maslow, encontramos a necessidade de relacionamento. Nesse caso, as pessoas querem se relacionar com outras pessoas, criar vínculos de longo prazo, divertir-se com os amigos ou familiares e assim por diante.

Felizmente, o gestor também pode garantir que esse terceiro degrau seja suprido, deixando seus subordinados ainda mais felizes. Criar um bom clima de trabalho e investir no bem-estar, na construção de verdadeiras equipes e na comunicação interna é um bom exemplo.

Necessidade de estima

Supridas as necessidades básicas, encontram-se as chamadas “necessidades superiores”. A primeira delas é a estima. Todas as pessoas, em maior ou menor grau, precisam se sentir estimadas por seus colegas, familiares ou por si próprias (nesse caso, a autoestima).

Dentro da empresa, é preciso criar políticas capazes de mostrar que os profissionais são estimados. Oferecer feedbacks positivos, elogiar um trabalho bem-feito ou enviar um e-mail de agradecimento é válido. Assim, os profissionais podem se sentir motivados.

Necessidade de realização

O último degrau da pirâmide das necessidades envolve as “necessidades de realização” e refere-se ao sentimento de conquista, de realização pessoal ou profissional, como se tivesse chegado ao topo. Dessa necessidade resulta, sem dúvidas, boa parte da motivação.

Dentro da empresa, é possível estimular a realização por meio de programas de cargos e salários, permitindo que os profissionais alcancem promoções na carreira. Também é possível apostar em programas de participação nos lucros e resultados (PLR) do exercício.

Perceba, então, que o gestor pode pensar na pirâmide das necessidades dos seus funcionários e avaliar como essas necessidades — tanto as básicas quanto as superiores — estão sendo supridas. Em seguida, é importante criar políticas e programas capazes de gerar motivação nos talentos.

Quais os benefícios da motivação profissional?

Existem diversas vantagens que podem ser citadas, desde o aumento do engajamento dos profissionais até a obtenção de melhores resultados para a empresa como um todo.

Em primeiro lugar, profissionais motivados costumam entregar mais resultados. Mesmo com uma quantidade menor de recursos, conseguem fazer um melhor trabalho e atingir os objetivos inicialmente definidos pela empresa. Portanto, toda a empresa é beneficiada, incluindo seus clientes, fornecedores e outros parceiros estratégicos.

Os profissionais também alcançam maior qualidade de vida. Trabalhar sem energia ou entusiasmo influi em uma série de riscos, inclusive à própria saúde.

Há, por fim, que se considerar a qualidade das tarefas diárias. Com talentos devidamente motivados, a qualidade do que é feito é muito maior. Isso porque todos trabalham com mais atenção e zelo no que está sendo executado. Desse modo, o número de erros é reduzido.

Agora, você está por dentro do assunto, sabe como a falta de realização pessoal pode afetar a motivação dos profissionais e também entende os benefícios de investir no assunto e como a teoria de Maslow pode ser usada. É hora, então, de colocar em prática o que aprendeu.

Gostou do nosso artigo? Quer continuar aprendendo conosco? Veja como é possível reduzir a curva de aprendizado de novos colaboradores e tornar a integração mais ágil. Boa leitura!