Motivação não é sinônimo de comprometimento

2020-03-24T14:58:47-03:0026 novembro, 2012|Gestão de Desempenho|

Os líderes são os principais personagens que se configuram como representantes das empresas junto às equipes. Ou seja, eles são os responsáveis por repassarem todas as informações necessárias e darem o suporte suficiente para que os talentos atinjam e superam as expectativas do negócio – fator que determina a sobre vivência de qualquer organização. Se por um lado a empresa espera que os colaboradores vistam a camisa e se engajem e se sintam, de fato, parte integrante da corporação é de se esperar, no mínimo, que as lideranças também sigam o mesmo caminho. Ou seja, que os líderes tenham comprometimento e deem o melhor de si.

O problema surge quando a gestão passa consideram profissionais motivados com aqueles que se mostram comprometidos. De acordo com Fátima Rossetto, diretora da área de Talent Development da LHH|DBM e responsável por projetos de cultura, desenvolvimento de lideranças, assessment e programas de sucessão para executivos, o líder motivado olha para curto prazo. Já a liderança comprometida possui uma visão estratégica para a empresa. Em entrevista ao RH.com.br, ela afirma que “A liderança comprometida está sempre focada em antecipar-se, ou seja, está constantemente buscando soluções em termos de gestão do pipeline de sucessão com foco na perenidade corporativa”. Durante a entrevista, ela pontua indicadores que revelam as características de um líder verdadeiramente comprometido. Boa leitura!
RH.com.br – Quais são principais as características de um líder comprometido?

Fátima Rossetto – O líder comprometido com a empresa e, consequentemente com suas responsabilidades conhece as necessidades do negócio e as expectativas das pessoas com quem ele atua diariamente. Ou seja, ele identifica as necessidades de cada membro do seu time, contemplando isso em uma perspectiva de curto médio e longo prazo ao fazer a gestão. A liderança comprometida está sempre focada em antecipar-se, ou seja, está constantemente buscando soluções em termos de gestão do pipeline de sucessão com foco na perenidade corporativa.

RH – É comum que as pessoas ainda confundam a liderança motivada com a liderança comprometida?

Fátima Rossetto – Sim, mas existem diferenças entre o líder motivado e aquele que é, de fato, comprometido. A liderança motivada olha para curto prazo. Já a liderança comprometida olha estrategicamente para a empresa e promove ações de forma a atender o sistema e não apenas a sua área, o seu time ou o seu próprio interesse.

RH – O primeiro passo para se mostrar comprometido, passa obrigatoriamente pela motivação?

Fátima Rossetto – O primeiro passo para o comprometimento não passa pela motivação como muitas pessoas imaginam. O primeiro passo de um líder comprometido permeia o autoconhecimento. Ou seja, para estarmos comprometidos com algo ou com alguém, precisamos saber quem somos e o que efetivamente queremos. Esse é um passo fundamental para fazermos a escolha de estarmos onde estamos.

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RH – Através de treinamentos, por exemplo, é possível fazer que um líder migre da motivação para o comprometimento?

Fátima Rossetto – Um programa de desenvolvimento, por exemplo, que vise a reflexão e promova o autodesenvolvimento faz com que o indivíduo compreenda seu propósito e isso, consequentemente gera comprometimento. É importante lembrarmos que o dia a dia precisa estar voltado para o que faz com que as pessoas que atuam na organização tomem, abracem os desafios como seus. Nesse caso, o desafio será visto como uma oportunidade de crescimento profissional.

RH – Líderes comprometidos sempre são bem aceitos por equipes de baixa performance?

Fátima Rossetto – Costumo afirmar que o líder comprometido é aceito por qualquer tipo de equipe, pois ele sempre está atento às necessidades do business e das pessoas que estão próximas a ele, trabalhando para que o alinhamento seja sempre contínuo.

RH – As lideranças comprometidas podem ser consideradas uma ameaça para os líderes que não estão dispostos a superar as expectativas da empresa e de seus pares?

Fátima Rossetto – Sem dúvida alguma que podem ser considerados uma ameaça. Por quê? Porque elevam a régua do que é esperado de um líder, fazendo com que as outras equipes exijam de seus líderes comportamentos similares.

RH – Em sua opinião, quais os fatores que inibem um profissional, seja ele líder ou liderado, de se tornar comprometido com a empresa?

Fátima Rossetto – São vários os fatores como, por exemplo, possuir valores e interesses pouco compatíveis coma organização. No caso específico dos liderados, perceber que a empresa não oferece desenvolvimento e que seu líder não tem a preocupação com o seu desenvolvimento. Isso é relativo e irá variar de caso para caso. Não podemos generalizar que um fator X é responsável pela falta de comprometimento em uma determinada empresa, é preciso ter uma visão holística dos fatores que envolvem a situação.

RH – O comprometimento das lideranças influencia na redução dos indicadores de turnover e absenteísmo, por exemplo?

Fátima Rossetto – Sem dúvida que influencia. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Gallup, os fatores que mais influenciam o engajamento dos talentos são: oportunidade de aprender e desenvolver novos conhecimentos, reputação da empresa como boa empregadora, presença de uma liderança preocupada com o bem-estar dos empregados e aquisição de novos conhecimentos.

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