O que um talento Y espera da atuação do RH?

2019-08-08T14:53:23-02:004 outubro, 2012|Estratégia Corporativa, Talent Management|

Sempre que os dirigentes organizacionais sentam-se à mesa para analisar quais as estratégias que podem ou não alavancar o negócio, a captação e a retenção de talentos surgem, entra em cena a Gestão de Pessoas. Afinal, são os profissionais que dão vida às organizações e não é nada prudente pensar que todos pensam da mesma forma e agem se maneira semelhante. Para isso, basta apenas observarmos as gerações que se encontram atuando no mercado: baby boomers, X e Y, sem deixar de mencionar a X, que já nasceu com o “mouse nas mãos”. E uma que sempre provoca preocupação às empresas é a Y, já que esses profissionais não se mostram tão dispostos a criarem laços com as organizações e podem, a qualquer momento migrarem para a concorrência apenas pelo “gostinho” de sentirem um novo desafio profissional ou, então, porque simplesmente vão ganhar um pouco mais. Imediatismo sempre aparecerá no comportamento dos Y e isso é inegável. Se por um lado os gestores mostram tanto interesse em saber o que passa pela mente desses jovens, o que eles esperam dos profissionais de Recursos Humanos, por exemplo? Para saber a resposta, o RH.com.br conversou com Bruno Perin, um empreendedor brasileiro que pertence a geração Y tem se destacado no mercado por ser o idealizador “Será que tá Certo?” – movimento apoiado por empresários e universidades, que agregará conteúdo para informar e instruir estudantes e profissionais recém-formados que queiram desenvolver ideias inovadoras.
Segundo Perin, a geração Y é muito intensa, quer tudo para ontem. Por isso, esses talentos colocam uma energia incrível no trabalho. Por outro lado, também se dispersam e perdem o interesse na mesma velocidade quando observam que seus interesses demoram muito para serem alcançados em alguma empresa. E ele vai além, ao se referir aos profissionais de RH. “Se os gestores de Recursos Humanos estivessem totalmente preparados para os Y, eles conseguiriam mantê-los por mais tempo, independente da sua natureza que possuem de mudar constantemente de trabalho”, pondera. Esse é o outro lado da moeda, que merece ser visto. Boa leitura!

 

RH.com.br – A presença da geração Y trouxe mudanças significativas ao mercado de trabalho. Quais as características mais relevantes desses talentos, em sua opinião?
Bruno Perin – A geração Y é muito intensa, quer tudo para ontem, então coloca uma energia incrível no trabalho. Mas também se dispersa e perde o interesse na mesma velocidade, pois quando nota que vai demorar um pouco mais para conseguir algo que tanto deseja como, por exemplo, uma promoção, um aumento no salário ou qualquer objetivo que busque. E quando não consegue rápido, essa geração logo já decai bastante a sua energia. A geração Y é também mais desprendida à cultura e à fidelidade da organização. Trocar de emprego por 50 reais a mais no salário é bastante comum, pois esses profissionais querem conquistar tudo mais rápido. Para isso, as oportunidades são aceitas e os laços com suas empresas atuais, são rompidos sem preocupação alguma. A Y é muito dinâmica, pode fazer muitas atividades ao mesmo tempo, além de movimentar a mídia de forma rápida e eficiente, mas também se dispersa com facilidade pelas redes sociais. A principal questão é que existem mais inovação e explosões de energia, mas também maior dificuldade em conseguir um engajamento. A geração Y aumentou muito o empreendedorismo, principalmente no mercado digital.

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RH – O senhor pertence à geração Y e certamente convive com profissionais de outras épocas. Pessoalmente, isso lhe provoca certo desconforto ou não?
Bruno Perin – Os profissionais de outras gerações normalmente são de dois tipos: uns têm uma mentalidade aberta e os outros que são os clássicos. Fazer negócio com um baby boomer tradicional, por exemplo, é complicado, porque ele não aceita que um jovem tenha experiência e condição de tratar dos assuntos com ele. Então tudo é mais complicado e moroso. Mas também existem pessoas da mesma geração, baby boomer, que entendem essa mudança no mercado e apesar de se sentirem melhor negociando com alguém mais experiente, aceitam essa nova realidade. Portanto, os profissionais das gerações que não possuem a mente aberta causam desconforto e os mais flexíveis não tem problema, até oferecem uma boa oportunidade de aprendizado. O motivo disso é como falei anteriormente, a geração Y quer para ontem e o clássicos atrasam o processo, pois se perde muito tempo tentando provar que você tem condição de realizar o trabalho ou o negócio em questão.

RH – Mesclar gerações agrega diferencial significativo às equipes?
Bruno Perin – A geração Y quer tudo para ontem e essa energia faz com que os processos e os resultados aconteçam mais rapidamente, porém esses profissionais atropelam alguns detalhes importante que podem trazer prejuízos a curto ou longo prazo. Já as gerações X e baby boomer sabem ter mais paciência e entendem melhor a questão do tempo necessário que leva para alcançar os objetivos. A frieza na analise das gerações mais antigas ajuda muito no ímpeto das mais novas. Logo, este equilíbrio é excelente para uma empresa. Por outro lado, é bom lembrarmos que numa situação que envolve gerações diferentes é muito fácil de acontecer uma disputa e isso pode causar danos irreparáveis. As empresas que aprenderam a aproveitar o que cada geração tem de melhor estão à frente da concorrência.

RH – Uma geração inovadora no mercado exige mudanças no campo corporativo. Em sua opinião, os gestores de RH estão conseguindo saber lidar com essa realidade?
Bruno Perin – O convívio com desafios é um aprendizado constante. Pessoalmente, acredito que os profissionais de RH ainda não estão 100% preparados, mas estão no caminho. Se estes gestores estivessem totalmente preparados eles conseguiriam manter por mais tempo os talentos da geração Y em suas empresas, independente da sua natureza que possuem de mudar constantemente de trabalho. Exatamente, por esse turnover muito alto é possível notar o quanto ainda há chão para ser percorrido. No Brasil, o número alto de empreendedores também mostra isso, pois muitos jovens não encontram uma organização que os entendam e saibam lidar com eles. Então, acabam por criar os seus próprios negócios.

RH – Então, isso significa que tanto às empresas quanto à área de RH ainda buscam adaptarem-se à geração Y?
Bruno Perin – Sim. Elas precisam adaptar-se, pois é a geração que entra no mercado agora e vai movimentá-lo e esta é a geração que está entrando na base das empresas. Se a empresa não souber como lidar com essa geração terá que usar as outras, porém as mais antigas. Daqui a algum tempo, esse profissionais vão se aposentar ou sair do mercado por algum motivo. E aí, o que acontece? Não se contrata mais outros talentos? As empresas fecham? É necessário aprender a se adaptar. E como falei antes, os que já entenderam isso estão à frente dos concorrentes.

RH – A flexibilidade é uma característica dos profissionais Y. Diante disso, também podemos afirmar que a geração Y está adaptando-se à realidade do mercado?
Bruno Perin – A geração Y adapta-se muito rápido porque é dinâmica. Ela é como a internet, muito rápida e ágil. Ela está tendo que aprender a lidar com suas características e aceitar as outras gerações que estão no comando, ou seja, os profissionais X e baby boomers, e isso é necessário para que se tenha ascensão na carreira. Mesmo os empreendedores têm que fazer negócios com as demais gerações e precisam saber entender suas peculiaridades para continuar no mercado.

RH – O que agrada os talentos da geração Y em uma Gestão de Pessoas?
Bruno Perin – Saber que alcançando os resultados esperados pela empresa, ele, o Y, poderá crescer. Portanto, o profissional de Recursos Humanos que mostra exatamente aquilo que o jovem precisa fazer para subir de cargo. Mas, vale ressaltar, que isso precisa ocorrer rapidamente, pois os Y jamais esperam cinco ou seis anos para ter uma ascensão profissional, como ocorria com a geração anterior. Outra questão é a qualidade de vida no trabalho. A empresa pode oferecer diferenciais como um local para relaxar, flexibilidade no horário, happy hour, por exemplo. Tudo aquilo que o Y pode levar da sua vida pessoal para o trabalho chama muita atenção do jovem. Veja os exemplos do Google, do Facebook, do Buscapé Company. Essas organizações são praticamente a extensão das casas dos talentos internos. Nesses locais é comum encontrarmos vídeo game, sofás e até pebolim.

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RH – E o que mais irrita os profissionais dessa geração, no dia a dia organizacional?
Bruno Perin – A morosidade, a burocracia. Isso deixa a geração Y maluca, pois ela quer tudo para ontem e o que atrasa é seu pior inimigo. A geração Y não quer perder tempo, ela quer conquistar rápido, portanto a empresa que tem muitos processos, é muito amarrada no processo decisório, tem políticas rígidas, as promoções são lentas deixam esses jovens irritadíssimos.

RH – Além dos Y, agora o mercado prepara-se para receber os talentos da geração Z. Como o senhor avalia a chegada desses profissionais às empresas?
Bruno Perin – Ela vem ainda mais rápida e dinâmica. Ela não pegou a mudança do mundo sem Internet em que tudo era mais demorado para Era Digital. Apesar de não gostar das morosidades, das burocracias, a geração Y viu os negócios com a Internet tornarem-se mais dinâmicos. Então, quando a geração demora um pouco mais e fala que precisa ser paciente, ela não gosta, mas entende. Já a nova geração não vai compreender isso, ela vai querer ainda as coisas mais rápidas e será menos compreensiva, pois não entende como era antes e não compreenderá como as empresas conseguiam trabalhar daquela forma que nunca vivenciaram. Outro ponto interessante serão as relações de trabalho, pois a Z é uma geração que prefere ficar em casa e falar com os amigos pela internet do que encontrá-los. Isso trará um pouco mais de dificuldade para que sejam criados laços interpessoais no trabalho. Mas, como sabemos isso são apenas suposições e ainda têm muita coisa para acontecer. Porém, confesso que estou muito curioso.

RH – Quais suas expectativas diante de um mercado que conta com a presença de profissionais pertencentes a tantas gerações diferentes?
Bruno Perin – Quem souber equilibrar e usar o que cada uma dessas gerações possui de melhor, terá vantagem, facilmente se destacará e crescerá. Já as empresas que apenas promoverem disputas entre as diferentes gerações, certamente cairão. O problema é que com o dinamismo do mercado, quando houver disputas, se a empresa não resolver o problema rapidamente, a companhia poderá decair em instantes e não voltar mais. Hoje, tanto é rápido para cair quanto para subir. Você é o responsável por equilibrar as peculiaridades das gerações e isso vai decidir o jogo do mercado.

 

Por Patrícia Bispo para o RH.com.br

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